Sempre acreditei que era forte, que nada poderia me abalar. Tinha tudo que queria e no momento exato em que desejava. Nunca tive sonhos, todos eram reais e por mais que eu tentasse mudar, o meu orgulho e altivez a cada dia aumentava dentro de mim. Fui me tornando um ser solitário, incapaz de doar algum sentimento ou desfrutar dele. O dinheiro vedava os meus olhos e me fazia acreditar que não necessitava de nada mais. Conheci tudo que podia conhecer, menos o amor. Na verdade, nunca soube o que isso significava. Tudo se resumia em compromissos que tomavam todo o meu tempo e, de certa forma, me impediam de viver o que eu realmente necessitava. Aos poucos fui descobrindo o quanto tudo isso não me levava a nada. Fui um ser que tinha a audácia de citar ordens e no mesmo instante serem obedecidas, de entrar e sair sem dar satisfações e possuir em minhas mãos coisas que milhares almejavam, mas que nem mesmo em sonhos conseguiam ver alguma realização. Tive o poder como meu combustível e a cada instante aumentava o meu status na sociedade, me tornando um alguém conhecido por todos, menos por mim mesmo. Jamais consegui compreender o que realmente eu era e, por mais que eu tentasse, as opções, em todo tempo, fugiam de mim.
Houve um tempo em que tudo perdeu o sentido. Percebi que jamais conseguiria ser feliz, ou melhor, que nunca fui! Que tudo ao meu redor não passava de uma ilusão e a cada dia que se passava, apenas me aprofundava mais no abismo. Parei pra pensar e vi que nunca chorei por alguém, pra ser sincero, nunca me permiti viver um sentimento que me fizesse sentir que tinha algum valor. Senti falta. Meu coração se fechava e quanto mais ele isolava em si, mais a angústia me afligia. Mas, como algo tão inútil poderia me deixar assim?! Foi apenas mais uma prova de que o importante não são as coisas grandes, e sim aquelas que até mesmo deixamos despercebidos. Eu queria que tudo fosse diferente, e sabia que seria necessário abrir mão de muitas coisas. Quebrar o meu eu e deixar que o ‘ato de amar’ me transformasse. Procurei tomar novos rumos e conhecer mais sobre mim mesmo. Fiz-me sutil e, sem que ao menos percebesse, descobri que o simples me fazia bem. Encontrei o amor e, por fim, mergulhei em suas larvas absoluta e inteiramente, sentindo as chamas queimarem o meu corpo e no peito ardendo incessante. Caminhei em meio a estrada desse sentimento e consegui achar respostas para a minha solidão; me permiti ser feliz, deixei o amor brotar.

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